No domingo eu havia saído com os meus pais, fomos à casa do meu avô por parte de mãe. Fui almoçar na casa dos meus avós no domingo, o que na verdade eu e meus pais fazíamos com alguma frequência. Eu tinha muitos tios e, consequentemente, muitos primos, alguns que eu mal falava, outros que eu tinha mais intimidade. Sempre que eu ia àquela casa uma boa parte dos meus primos estavam sempre presentes. O mais engraçado é que eu nunca parei para contar quantos primos eu realmente tinha. Mas toda a vez que eu ia para lá, na minha infância, sempre tive com quem conversar e brincar, mas depois de uma certa idade fui me distanciando dos primos mais novos, e passei a ficar mais perto dos adultos. Coisas de adolescente “crescido”.
Naquele domingo em especial eu estava distante de todos. Logo após o almoço eu saí da mesa e me dirigi para frente da casa, lá havia uma árvore enorme na qual minha avó passava as tardes ensolaradas sobre a sua sombra. Aquela tarde não estava ensolarada, fazia até mesmo um pouco de frio, mas para mim estava perfeito, então me sentei na base da árvore, fechei os olhos e fiquei a pensar. Naquele local não havia ninguém com quem eu pudesse dividir o que estava se passando dentro de mim, naquele exato momento eu me sentia como se eu não conhecesse ninguém ali e que ninguém me conhecia de fato.
Sem que eu percebesse, Renata, uma das minhas primas mais intimas, foi quem justamente foi falar comigo depois do almoço, quando resolvi, naquela tarde amena, sentar sozinho embaixo da árvore. Ela puxou assunto, disse que havia notado que eu estava lá sozinho, com uma carinha confusa e triste, eu me espantei com o fato de ela ter ido até mim e que soubesse que alguma coisa me atormentava. Eu e Renata sempre nos falamos, e muitas vezes ela me ajudava quando eu precisava, na escola e coisas assim, mas nunca demonstrou interesse sobre os meus pensamentos, mas naquele momento ela havia vindo a mim e eu decidi que deveria me abrir com ela e que eu poderia confiar nela.
Eu contei que eu havia conhecido um garoto a pouco tempo atrás e que ele havia despertado a minha curiosidade num primeiro momento, mas depois de conversarmos um pouco ele começava a despertar um interesse diferente em mim, e falei sobre como meu corpo agia perante ele. Ela falou que na minha idade era normal que algumas pessoas começavam a descobrir interesses diferentes e que não havia nada de errado com isso, só que eu deveria pensar no que eu realmente queria para que eu não me arrependesse depois e que eu não ficasse me prendendo demais, pois eu também poderia me arrepender do que eu deixasse de fazer.
Logo após essa conversa ela se levantou e disse que iria ajudar as minhas tias, me beijou a testa e disse que gostava muito de mim e que eu poderia contar com ela para o que fosse necessário. Eu me juntei aos outros pelo resto do dia e depois eu e meus pais fomos para casa. Eu estava me sentindo muito melhor.
Créditos a Sarah linda que está me ajudando muito, principalmente na correção ortográfica.
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