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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mistakes and Consequences - Cap VII

Parte III – Alex Turner


Capitulo VII: Monstro

Eram dez deles, eu estava cercado; mas depois de tanto tempo sobre esta nova "Terra", essa situação já não me aterrorizava. Para ser mais preciso, três meses haviam se passado desde que eu acordara naquele beco sujo; nesse meio tempo, eu já viajara quase todo o país em busca de respostas, mas eu fora mal sucedido. Nesses três meses, uma mutação se abatera sobre mim. Eu mesmo já não me reconhecia.

Meu sangue começava a ferver, meus instintos se aguçavam e o tempo parecia rastejar, como se eu estivesse vivenciando o momento em câmera lenta. Analisei os dez que me cercavam, nenhum deles ali possuía o poder ou a capacidade para me superar, mas algo me chamou a atenção naqueles seres horrendos: eles aparentavam ter controle sobre si e de terem recuperado um pouco de suas consciências. Esse fato me surpreendera, pois este era o primeiro grupo de monstros que eu encontrava que aparentavam possuir qualquer tipo de capacidade mental; todos os outros não passavam de animais esfomeados que seriam capazes de lutar até a morte por um pouco de carne.

Eu desejava poder analisá-los melhor, portanto decidi não utilizar de meus poderes para que a batalha durasse um pouco mais. Minha mente estava em um confronto voraz com o meu instinto assassino: minha mente queria analisar e estudar o que havia feito aqueles monstros recobrarem a consciência, já meu instinto queria simplesmente trucidá-los. Eu ainda não tinha controle sobre meu instinto e nem sobre meus poderes, eles ainda eram um completo mistério para mim e tudo aquilo ainda me assustava.

Eu estava usando todas as minhas forças para combater meu instinto assassino, meu sangue fervilhava. Me preparei para o combate e esperei para que eu pudesse analisar como eles procederiam. O primeiro deles correu em minha direção, rugindo e mostrando os dentes afiados e suas garras mortais; um sorriso brotou em minha face, quem aquele ser pensava que era para me atacar de frente?

À medida que ele se aproximava de mim, sua aura assassina aumentava, o que me deixou surpreso: será que eles poderiam esconder suas intenções assassinas, assim como eu estava fazendo naquele exato momento? Ele estendeu suas garras querendo dilacerar meu peito, desviei de seu ataque simplesmente dando um passe para o lado, virei e segurei sua cabeça entre as minhas mãos, torcendo seu pescoço como se não fosse nada. Aos meus olhos esses movimentos duraram um minuto inteiro, mas na verdade tudo se passou dentro de poucos segundos.

Os nove restantes, parecendo irados pela facilidade com que eu matara um de seus companheiros, liberaram suas intenções assassinas por completo; a intenção assassina deles junta era de certo modo surpreendente, eu nunca havia encontrado uma intenção assassina tão grande antes. Meu instinto assassino reagiu à intenção assassina deles e sobrepujou minha mente. Em resposta aos urros proeminentes daqueles animais eu rugi de modo imponente, calando-os por alguns momentos; minha visão tornara-se vermelha e todos os meus sentidos explodiram, chegando a uma escala inumana. Com uma incrível velocidade, saquei as duas espadas que estavam embainhadas em minhas costas. Os nove restantes me atacaram ao mesmo tempo, mas para mim seus movimentos eram completamente visíveis e previsíveis; soltei uma gargalhada: novamente minhas espadas provariam o gosto de sangue. Naquele instante eu notara que não era eu que estava no comando do meu corpo, e tudo escurecera...

Despertei aos poucos com dores por todo o meu corpo, meus sentidos foram aos poucos retornando ao normal; eu estava em pé, no meio de uma estrada com vários corpos ao meu redor; eu estava coberto de sangue dos pés à cabeça e sangue também pingava das espadas. Finalmente eu entendi o que havia se passado ali, depois de vários dias sem crises, eu havia perdido o controle sobre o meu corpo e meu instinto assassino tomara conta de mim, liberando-o.

Meu pulmão gritava, implorando por nicotina; eu precisava de cigarros e quem sabe uma boa dose de álcool também. Olhei ao redor e encontrei minha Midnight Star, enquanto eu me encaminhava para ela, imagens de dezenas de cenas semelhantes aquela que eu acabara de presenciar passavam pela minha cabeça; quantos monstros daquele eu já havia matado? Quantas vezes eu já havia perdido o controle sobre mim mesmo? Enquanto eu pensava sobre essas perguntas, outra brotou em minha mente: havia eu me tornado nada mais que um monstro também?

sábado, 17 de dezembro de 2011

Mistakes and Consequences - Cap VI

Capitulo VI: Fiador 

Mesmo com toda a minha inteligência, eu não consegui prever tudo o que estava por vir. Seu nome era Giovanni Nicotari. 

Assim que nós começamos a conversar eu simpatizei com ele, mas algo me incomodava; eu não conseguia lê-lo. A cada tentativa minha de tentar compreender suas micro-expressões, mais neutro ele se tornava. Ou ele estava sendo completamente sincero, ou ele era um mentiroso perfeito, mas como até aquele momento eu nunca havia encontrado um mentiroso perfeito, resolvi acreditar em suas palavras. Para ajudar, a sua aparência fazia lembrar-me de alguém há muito esquecido, e isso me incomodava e tranquilizava ao mesmo tempo. 

Conforme a conversa foi fluindo, eu comecei a pensar que estava apenas sendo implicante com aquele senhor, e resolvi sair defensiva e ser simpática e sincera com ele. Conversamos durante o vôo inteiro; começamos a falar sobre nossas vidas e por coincidência ele também era cientista, só que dono de uma grande rede de laboratórios espalhados pelo mundo. Não acreditei que eu já havia trabalhado em dois de seus laboratórios, mas nunca havia me importado em conhecer meus patrões. 

O tempo passou incrivelmente rápido, o avião já pousava. Saímos do avião e continuamos a conversar até a porta do aeroporto. Eu estava com muita vontade de ver meus pais, mas não podia ser rude e deixar de ter a simpatia do meu novo investidor. Ele ainda queria manter contato, então eu fiquei com um de seus cartões e prometi entrar em breve. Entrei no primeiro táxi e pedi ao taxista para me levar até a casa dos meus pais. 

Assim que o carro partiu, me virei para trás e acenei para Giovanni. Eu havia encontrado a pessoa que bancaria todas as minhas pesquisas.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mistakes and Consequences - Cap V

Capitulo V: Primeiro Erro 

Cinco anos haviam se passado desde que meu crescimento havia parado, eu já havia viajado o mundo inteiro e já havia feito algumas descobertas em relação a minha condição. Primeiro, eu descobri que meus genes eram um pouco deferentes dos das pessoas normais, por algum motivo que eu desconhecia, meus genes estavam dispostos em uma ordem diferentes dos demais e graças a isso eu havia nascido dessa maneira. Segundo, eu havia parado completamente meu crescimento físico, mas em compensação meu crescimento mental havia acelerado ainda mais e graças a isso, eu já conseguia utilizar 50% do meu celebro, o que em pessoas normais, raramente ultrapassa os 10%. 

Por onde quer que eu passasse, atraia olhares admirados e surpresos, isso devido a minha cor de pele e a cor do meu cabelo. Em meus cinco anos de viagens pelo mundo, eu nunca havia encontrado ninguém que possuísse um tom de cabelo que fosse igual ao meu. Mas em meio aqueles olhares eu começava a notar olhares de cobiça também, eu nunca tinha me importado antes com isso, pois eu tinha olhos apenas para as minhas pesquisas, mas nesses cinco anos eu aprendera a separar um pouco de tempo para a diversão e nesses períodos fora do laboratório eu aprendera a diferenciar esses olhares. 

Eu já estava com saudades da minha família e ansiava por voltar e rever meus pais. Preparei tudo para a viagem, deixei o laboratório onde trabalhara no último ano e comprei passagens para casa. O vôo demoraria algumas horas, sentei em minha poltrona e coloquei os fones de ouvido, após alguns minutos eu percebi que o senhor ao meu lado olhava para mim de vez em quando com olhares de curiosidade e eu decidi conversar com ele, afinal ele era um senhor de idade e aparentava ser uma boa pessoa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mistakes and Consequences - Cap IV

Capitulo IV: Criação

Conforme o tempo passara, eu fora crescendo cada vez mais, e minha infância fora cheia de exames, medicações e experiências, afinal os médicos nunca haviam visto algo igual. No começo eu sentia medo e não gostava de ir a hospitais e de fazer aqueles constantes exames, e muito menos de tomar aqueles medicamentos, mas conforme meu crescimento físico e mental avançava, fora crescendo dentro de mim a necessidade de obter conhecimentos. 

Meus pais sempre tiveram problemas na hora de me matricular em escolas normais, pois ninguém me queria por perto, e por esse motivo eu começara a estudar em casa, mas com tantas idas e vindas de hospitais e de todos aqueles experimentos e contatos com cientistas, mas principalmente da vontade que eu tinha de saber o que realmente eu era, afinal estava bem claro que eu não era uma pessoa normal, eu começara a participar das conversas com os cientistas e a estudar tudo o que eles faziam comigo. 

Os anos se passaram e quando eu completara meus 10 anos, eu já estava com a aparência de uma mulher de 20 anos; esbelta, bela e muito admirada pelos homens a minha volta. Mesmo recendo muitas bajulações de todos, eu simplesmente não me importava e nem me impressionava com nada disso, a única coisa com que eu me importava agora era estudar cada vez mais para que um dia eu pudesse descobrir o que acontecia comido. 

Tão misteriosamente quanto começou, meu crescimento físico parou. Esse fato pegou de surpresa a todos nós, mas foi um grande alívio para mim e para meus pais, afinal, isso significava que meu tempo de vida fora prolongado. Mas para meu alívio, meu crescimento mental continuava a crescer. Agora, sem a preocupação de morrer de velhice com 30 anos, eu decidira sair pelo mundo para estudar outras espécies e tentar compreender melhor a vida em sua essência.

sábado, 26 de novembro de 2011

Mistakes and Consequences - Cap III

Parte II - Brittany Evans

Capitulo III: Aberração 

Meus olhos pousavam sobre toda a cidade, afinal eu estava na cobertura do maior edifício dali; e graças ao binóculo que eu havia projetado tempos atrás, eu consegui ver tudo o que acontecia na superfície. Aquilo já se tornara um hábito. Dia após dia eu subia ali e ficava a observar a cidade. Eu me recusava a admitir, mas aquilo era para mim um modo de me redimir e tentar corrigir o erro do qual eu nunca esqueceria, pois fora o primeiro erro da minha vida, e também para procurar pelo meu segundo erro... 

Desde muito pequena eu já sabia que era uma pessoa bem diferente dos demais. Meus pais sempre foram muito amáveis comigo, mas não souberam como lidar com a minha situação. Não os culpo por isso. Digamos que não tenha sido... Fácil. 

Eu nasci mais branca que qualquer pessoa normal, praticamente albina. O que impedia que qualquer médico dissesse que eu era albina era a cor dos meus cabelos, que desde que nasci são de um vermelho vibrante, lisos e longos. Mas se fosse apenas isso que me diferenciasse das outras pessoas, eu até que me consideraria normal, apenas um pouco diferente, mas eu era praticamente uma aberração. 

Meu crescimento físico era acelerado, mas o que mais surpreendera meus pais foi meu crescimento mental. Aos três meses, já com o tamanho de uma criança de seis meses, eu já dissera minhas primeiras palavras, e aos quatro meses eu já conseguia me fazer entender. Aos cinco meses eu já arriscava ficar sobre minhas próprias pernas e aos seis meses eu conseguia andar tranquilamente. Ninguém pode lidar bem com uma situação como essa.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mistakes and Consequences - Cap II

Capitulo II: Passado e Vício 

Quando dei por mim eu estava andando na direção de uma loja de roupas a poucos metros do beco de onde eu havia despertado. Eu precisava de roupas resistentes, afinal eu não sabia o que estava por vir e eu precisava estar preparado. Primeiro eu peguei um coturno preto que estava logo à vista, peguei uma calça jeans cinza e uma camisa básica preta, procurei pela loja, mas não vi nenhuma jaqueta de meu agrado. 

Depois de me vestir, estava prestes a sair da loja quando passei por um espelho e parei por um instante. Pensamentos começaram a fluir pela minha mente, eu estava muito diferente do que eu me lembrava, meu cabelo estava mais comprido e meus músculos estavam maiores, como se meu corpo houvesse avançado no tempo e melhorado também. Comecei a lembrar da vida que eu levava antes que o mundo inteiro virasse de cabeça pra baixo. Bom, não só virou de cabeça pra baixo como deu uma sacudida, só pra desarrumar mais ainda. Virar mais 180 graus não ia fazer nada daquilo voltar ao normal. 

Eu vivia de pub em pub, tocando violão, ganhando algum dinheiro e no instante seguinte gastando com cigarros e vodca. Lembrando dos cigarros e sentindo minha garganta implorar por um maço inteiro, continuei andando por aquela rua pós-apocaliptica, quando vi a moto parada na frente de uma tabacaria. Tabacarias, sempre salvando a minha vida. Examinei a moto com cuidado, era uma Midnight Star e ela era perfeita. Quando dei uma volta ao redor dela, encontrei pendurado um casaco de couro preto. Também perfeito. Parece que afinal o mundo pós-apocaliptico não era tão ruim assim. 

Depois de colocar o casaco, examinei os bolsos para ver se encontrava algo de importante. Bolso externo, chaves, nada poderia ser melhor. Em um dos bolsos internos encontrei algo que o formato eu já conhecia muito bem, dos meus tempos de pub. Uma carteira de Marlboro vermelho, praticamente cheia. Tudo o que eu precisava era um isqueiro. Sorri comigo mesmo e forcei um pouco a porta da tabacaria, que parecia apenas um pouco emperrada. Procurei entre as prateleiras e achei o que eu estava procurando, um Zippo novinho e cheio. Fui até o caixa e peguei mais duas carteiras de Marlboro vermelho, e coloquei nos bolsos internos. Sai da tabacaria e subi na Midnight, que passara a ser minha, ascendi um cigarro, liguei a moto e sai dali a toda. Agora só faltavam as armas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mistakes and Consequences - Cap I

Parte I - Alex Turner

Capitulo I - Choque

Acordei com uma baita dor de cabeça, meus olhos ardiam e meus sentidos estavam completamente desnorteados. Eu continuei ali deitado sem noção do tempo, minha cabeça continuava a latejar incessantemente, mas eu sabia que não deveria ficar ali por muito tempo, eu sentia que precisava me levantar e sair dali o quanto antes. Abri os olhos, mas não consegui enxergar nada, meus olhos estavam completamente embaçados, pisquei várias vezes até começar a lacrimejar e abri os olhos mais uma vez, dessa vez eu consegui dar uma olhada ao meu redor. 

Eu me encontrava no final de um beco sem saída, os edifícios ao meu redor eram altos e aparentavam ser muito velhos, mas o que mais me chamou a atenção fora o céu, ele estava preto, completamente preto, sem estrelas, sem lua, como se não houvesse nada lá fora. Tentei me levantar, mas o mundo ao meu redor girou e eu fui ao chão novamente, respirei fundo algumas vezes e tentei mais uma vez, mais devagar dessa vez, primeiro tentei me sentar, esperei um pouco para ver se o mundo continuaria parado e então me levantei. 

Eu senti que aos poucos minhas forças retornavam, meus sentidos começaram a clarear, mas minha cabeça ainda martelava, o que estava me deixando completamente maluco. Agora, um pouco mais confiante, caminhei até a saída do beco. Nada no mundo poderia me preparar para a visão que eu estava prestes a vislumbrar. 

Estava frio, muito frio para aquele verão campeão de altas temperaturas, a rua estava completamente devastada, os carros estavam dispostos de forma caótica, as lojas estavam arrombadas e tinham suas vitrines quebradas, mas o que me fez gelar até a alma fora a quantidade de sangue que estava em todas as direções. 

Aquele instinto que a pouco me atingira, estava novamente gritando em meus ouvidos, mais forte do que antes, como se o cheiro acre do sangue o fortalecesse. Minha mente ainda estava paralisada pelo choque daquela visão, mas meu corpo começara a se mexer, como que por impulso, eu precisava trocar minhas roupas rasgadas e úmidas e precisava arrumar um jeito de me proteger.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

When The Day Met The Night

Quando a Lua se apaixonou pelo Sol, tudo era dourado no céu. Tudo era dourado quando o dia encontrou a noite... 

Foi no meio do verão, quando parecia que não mais aguentaria, que ele a avistou bebendo chá em seu jardim debaixo dos guarda-chuvas das árvores. Foi no meio do verão, quando bebia chá em seu jardim, que ela o avistou cabisbaixo, parecendo que mal conseguiria aguentar, mas ao cruzarem seus olhares, algo os conectara e suas vidas foram salvas. 

No meio do verão, tudo era dourado no céu. Tudo era dourado quando o dia encontrou a noite... 

Aproximaram-se e então ele disse: “Estaria tudo bem se nós sentássemos e conversássemos um pouco e em troca do seu tempo eu te desse meu sorriso?” 

Olhando em seus olhos ela respondeu: “Está tudo bem, se você prometer não quebrar meu pequeno coração ou me deixar sozinha no meio do verão.” 

Ele estava apenas andando à toa, então se apaixonou e não sabia como, mas ele não conseguia sair, ele não queria sair.

No meio do verão, tudo era dourado no céu, tudo era dourado quando o dia encontrou a noite. Tudo era dourado no céu quando a Lua se apaixonou pelo Sol.

When The Day Met The Night - Panic! At The Disco

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Devaneios - parte IV

No domingo eu havia saído com os meus pais, fomos à casa do meu avô por parte de mãe. Fui almoçar na casa dos meus avós no domingo, o que na verdade eu e meus pais fazíamos com alguma frequência. Eu tinha muitos tios e, consequentemente, muitos primos, alguns que eu mal falava, outros que eu tinha mais intimidade. Sempre que eu ia àquela casa uma boa parte dos meus primos estavam sempre presentes. O mais engraçado é que eu nunca parei para contar quantos primos eu realmente tinha. Mas toda a vez que eu ia para lá, na minha infância, sempre tive com quem conversar e brincar, mas depois de uma certa idade fui me distanciando dos primos mais novos, e passei a ficar mais perto dos adultos. Coisas de adolescente “crescido”. 

Naquele domingo em especial eu estava distante de todos. Logo após o almoço eu saí da mesa e me dirigi para frente da casa, lá havia uma árvore enorme na qual minha avó passava as tardes ensolaradas sobre a sua sombra. Aquela tarde não estava ensolarada, fazia até mesmo um pouco de frio, mas para mim estava perfeito, então me sentei na base da árvore, fechei os olhos e fiquei a pensar. Naquele local não havia ninguém com quem eu pudesse dividir o que estava se passando dentro de mim, naquele exato momento eu me sentia como se eu não conhecesse ninguém ali e que ninguém me conhecia de fato. 

Sem que eu percebesse, Renata, uma das minhas primas mais intimas, foi quem justamente foi falar comigo depois do almoço, quando resolvi, naquela tarde amena, sentar sozinho embaixo da árvore. Ela puxou assunto, disse que havia notado que eu estava lá sozinho, com uma carinha confusa e triste, eu me espantei com o fato de ela ter ido até mim e que soubesse que alguma coisa me atormentava. Eu e Renata sempre nos falamos, e muitas vezes ela me ajudava quando eu precisava, na escola e coisas assim, mas nunca demonstrou interesse sobre os meus pensamentos, mas naquele momento ela havia vindo a mim e eu decidi que deveria me abrir com ela e que eu poderia confiar nela. 

Eu contei que eu havia conhecido um garoto a pouco tempo atrás e que ele havia despertado a minha curiosidade num primeiro momento, mas depois de conversarmos um pouco ele começava a despertar um interesse diferente em mim, e falei sobre como meu corpo agia perante ele. Ela falou que na minha idade era normal que algumas pessoas começavam a descobrir interesses diferentes e que não havia nada de errado com isso, só que eu deveria pensar no que eu realmente queria para que eu não me arrependesse depois e que eu não ficasse me prendendo demais, pois eu também poderia me arrepender do que eu deixasse de fazer. 

Logo após essa conversa ela se levantou e disse que iria ajudar as minhas tias, me beijou a testa e disse que gostava muito de mim e que eu poderia contar com ela para o que fosse necessário. Eu me juntei aos outros pelo resto do dia e depois eu e meus pais fomos para casa. Eu estava me sentindo muito melhor.



Créditos a Sarah linda que está me ajudando muito, principalmente na  correção ortográfica.

sábado, 23 de julho de 2011

Devaneios - parte III

No sábado, assim que eu terminei de almoçar me dirigi à praça, ele não estava naquele primeiro local onde eu havia o visto e nem sentado ao lado do meu balanço. Fiquei ouvindo música e pensando no quão tolo eu estava sendo, eu havia ficado triste por ele não estar lá naquele momento. Fechei os olhos e viajei em meus pensamentos, como estava acostumado a fazer naquele local. Após o que havia me parecido um longo período de tempo eu ouço o barulho do balanço ao meu lado, abri os olhos e olhei para o lado, e lá estava ele novamente, olhando fixamente para mim, com aqueles olhos verdes encantadores. 

Assim que eu olhei dentro daqueles olhos, me pareceu que tudo havia perdido a graça ao meu redor, tudo o que importava eram aqueles olhos, tudo o que eles transmitiam. Meu coração havia acelerado de uma hora para outra, minha respiração estava ofegante, e eu sentira que estava tremendo um pouco. Desviara o meu olhar do dele, para tentar esconder o que havia acontecido comigo, e começara a reparar nele por completo. Naquele sábado não estava tão frio quanto os outros dias, ele estava usando uma camisa básica de mangas compridas, só que desta vez preta, um jeans um pouco apertado, um Vans e no pescoço usava um cachecol branco, o cabelo novamente bagunçado. Presumi que ele gostava do estilo arrumadinho, mas desleixado. 

Não me segurei e o cumprimentei sorrindo, como se eu fosse um retardado, ele sorriu e me cumprimentou de volta, nos balançamos um pouco e ele começou a puxar papo. Eu, que não sabia o que estava fazendo, apenas ia respondendo as perguntas e conforme a conversa ia perdurando, eu ia começando a questioná-lo também. Descobri que ele havia se mudado para a vizinhança poucos dias antes da primeira vez que nos encontramos, a casa dele era bem perto da minha, descobri também que ele era da minha idade e que nosso gosto musical era praticamente o mesmo. Durante aquela tarde eu não pensava sobre o que era certo ou errado, no que as pessoas falariam de mim e no que realmente estava acontecendo comigo, eu havia apenas deixado a conversa fluir. 

Conforme a conversa fluía, nós nos conhecíamos melhor e o tempo corria, quando nos demos conta do horário já estava na hora do jantar, e nós dois devíamos ir para casa. Nossa casa era realmente muito próxima, algumas poucas ruas de distância, de modo que quase todo o caminho nós seguimos juntos, continuamos a conversa, falávamos sobre tudo, sobre futebol, vídeo games, escola, amigos, foi uma conversa típica de garotos, descontraída.

A minha casa era a mais próxima da praça, assim que chegamos à esquina da minha rua ele me apontou uma esquina a duas ruas de distância e me disse que a casa dele ficava naquela rua e que era para eu ir até lá a qualquer hora, eu disse que talvez eu aparecesse e ele sorriu para mim, como se estivesse satisfeito com a resposta. Estava na hora de nos despedirmos e nós apertamos as mãos, por um instante me ocorreu que tanto eu quanto ele não queríamos largar da mão um do outro, mas aquela sensação passou e seguimos cada um para a sua casa.

domingo, 3 de julho de 2011

Devaneios - parte II

As aulas haviam finalmente chegado ao seu fim e eu tinha três semanas de férias pela frente, o inverno havia chegado e já estava fazendo um friozinho gostoso e aconchegante. Eu estava com saudade de passar minhas tardes me balançando naquela pracinha, estava precisando relaxar e lá era o melhor local para isso. Com tantas coisas acontecendo na escola eu havia me esquecido completamente daquele garoto, mas ao voltar para a pracinha dou de cara com ele. Ele estava sentado no balanço ao lado do meu, e agia como se estivesse esperando por alguém, não compreendi exatamente por quem ele estava esperando. 

Fui em direção ao balanço e educadamente pedi licença e me sentei no banco que era meu, achei aquela situação um pouco estranha, eu estava pedindo licença a um estranho para poder me sentar no balanço que pertencia a mim, apenas por ele estar sentado ali ao lado. Ele vestia aquele mesmo Nike clássico, uma calça jeans um pouco apertada e um suéter cinza escuro com alguns detalhes em azul marinho, vestia também um cachecol azul marinho, como que para combinar com o suéter, e havia cortado o cabelo, estava mais curto e repicado, ele havia deixado o cabelo um pouco bagunçado, transmitindo um ar desleixado, contrariando a roupa que estava combinando. Surpreendi-me com o fato de eu estar prestando atenção naquele garoto que eu mal conhecia e ainda mais por perceber que ele havia cortado o cabelo.


Por um longo tempo ficamos apenas nos balançando, cada um no seu ritmo e com seus próprios pensamentos. Eu estava procurando um motivo que explicasse o fato de eu estar me sentindo envergonhado e tímido ao lado daquele garoto, quando ele olha para mim e me cumprimenta como se nós acabássemos de nos encontrar. Ele se apresentou como Gustavo e sorriu para mim, não sei descrever o que estava se passando na minha mente naquele momento, mas eu simplesmente sorri e disse-lhe meu nome também, nossos olhares se cruzaram e nós os desviamos envergonhados. Eu não sabia o que estava se passando comigo, aquilo nunca havia acontecido comigo, ainda mais com um garoto, eu não sabia o que fazer, baixei a cabeça, disse que tinha que ir para casa e sai correndo. 

Passei o resto do dia no meu quarto pensando no que estava acontecendo, no que eu estava fazendo, isso era certo? Sentir-me assim por causa de um garoto? O que os meus amigos pensariam de mim? O que eles falariam de mim? E meus pais? Eles ficariam chateados comigo? Ficariam zangados comigo? Expulsariam-me de casa? Todas essas dúvidas passaram pela minha cabeça e quando eu finalmente caí no sono tive alguns pesadelos.

Tentei me distrair nos dias que se passaram, mas por mais que eu tentasse a imagem daquele garoto sempre vinha a minha mente, não sabia mais o que fazer para tentar parar com isso, afinal eu nem sabia o que estava sentindo, muito menos se era correto. No final de semana eu não aguentava mais aquela situação, tinha que decidir o que iria fazer, e decidi por voltar à pracinha.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Devaneios - parte I

Estava com vontade de escrever e não sabia sobre o que eu poderia escrever, comecei a foliar o caderno e achei um texto que eu havia escrito, o inicio de uma história que eu estava começando a contar, mas que por falta de inspiração havia parado, agora tomo novamente a narrativa desta história com a intenção de contá-la até o fim. Espero que vocês gostem da narrativa e que comentem sobre ela, mas cabe a vocês descobrirem se é uma história verídica, ou se é apenas mais um devaneio da minha mente, mas lembrem-se que para criar algo precisamos de fatos para nos basear, boa leitura.


Encontrava-me olhando para o céu avermelhado de um lindo final de tarde de outono. Despertei de uma de minhas viagens ao meu mundo de fantasias, no qual tudo o que eu desejava se tornava realidade, olhei ao meu redor, não avistava ninguém. Passei a tarde inteira naquela pracinha que me atraia tanto, era uma pracinha muito comum, com árvores para todos os lados, um campinho de futebol, alguns brinquedos, bancos espalhados pelas extremidades, algumas mesinhas de dama e xadrez, ou seja, como qualquer outra praça, mas o que me levava a ir aquela praça em especifico, era que pouquíssimas pessoas circulavam por ali, eram tempos corridos, onde ninguém se dava ao prazer de passar um tempo ao ar livre com seus filhos, ou amigos. E por causa disso, me era permitido ficar a sós com meus devaneios. 


Decidi que já estava na hora de voltar para casa, levantei-me do balanço e cruzei a praça em direção a minha casa, quando me dei conta de que não era o único ali. A minha primeira reação foi de espanto e medo, pelo simples fato de eu não ter notado aquela presença durante a tarde inteira e que ela pudesse me fazer algum mal, após alguns segundos me senti mais calmo, tentei lembrar-me do momento que eu havia chegado à praça com a intenção de verificar se eu havia visto algo de diferente, não consegui me lembrar. 

O balanço no qual eu sempre me sentava, ficava no fundo da pracinha, deste local eu possuía uma visão um tanto quanto privilegiada de quase toda a praça, mas havia um local, uma pequena área, que eu não enxergava praticamente nada, e era esse o local onde ele se encontrava. 

Passei por aquele local o mais de vagar que eu pude em uma caminhada tranquila, tentei juntar o máximo de informações sobre aquele garoto desconhecido que eu nunca havia notado, em um lugar praticamente abandonado, do qual eu achava ser o único frequentador. Ele estava sentado em um banco, de cabeça baixa, parecia estar entretido com algum pensamento, tinha os cabelos castanhos escuros escorridos, de modo a esconder o rosto, usava uma camisa branca básica de mangas compridas, uma calça jeans e um Nike clássico preto. 

Quando eu estava quase saindo da praça senti que ele havia me notado e que estava me olhando, virei o rosto e o olhei de forma curiosa e questionadora, ele havia se endireitado e o seu cabelo havia escorrido de modo que apenas a franja repousava sobre sua testa quase chegando aos olhos, seus olhos eram verdes muito claros e lindos, seu nariz era perfeito e a sua boca era um tanto quanto carnuda, mas não exageradamente. Ele me olhava de forma intensa e também questionadora. Fitei aqueles olhos por alguns segundos e depois me virei e segui o caminho de casa. 

Voltei à praça no dia seguinte, eu realmente gostava de passar minhas tardes por lá, era tranquilizador e muito agradável, mas não irei mentir, naquele dia havia outro motivo, eu queria encontrar aquele garoto novamente, mas como se apenas para me contrariar, ele não estava lá, verifiquei a praça inteira para ter certeza desta vez. Fiquei um tanto quanto decepcionado, mas de qualquer jeito me sentei no meu lugar de costume, o balanço, e fiquei a delirar a tarde inteira sobre quem poderia ser aquele garoto, eu nunca o havia visto pela vizinhança, nem na escola ou em qualquer outro lugar, eu me lembraria caso houvesse visto-o anteriormente.

Já havia começado a escurecer quando eu decidi que era hora de eu voltar para casa, passei novamente pelo local que eu o havia visto no dia anterior, mas ainda assim nem sinal de que ele pudesse ter estado ali naquele dia, continuei meu caminho para casa. Havia alguma coisa naquele garoto que me fazia continuar pensando nele, e eu não sabia o que poderia ser, era estranha, aquela sensação, eu não sabia o que pensar a respeito e nem o que eu deveria fazer e muito menos se eu devia estar pensando em alguém completamente desconhecido para mim, ainda mais um garoto. Nos dias que se sucederam eu não voltei a pracinha, pois estava ocupado com a escola, estávamos na reta final do semestre e haviam muitas provas para quais estudar, muitos trabalhos para entregar, e com isso tudo eu acabei passando minhas tardes em casa estudando.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Prólogo II

Estava lá, olhando para o lindo céu avermelhado de um final de tarde outonal, com pensamentos diversos, pensando em tudo e ao mesmo tempo em nada. Olhava para os lados e não via ninguém, estava sozinho, mas não me importava com isso, pois sempre gostei de ficar só com meus pensamentos.
Durante um de meus delírios, sem motivos aparentes, algo chamou a minha atenção, olhei para o lado e meus olhos encontraram apenas o formato de uma pessoa ao longe, foi como se tudo fosse perdendo a beleza ou a importância conforme ele se aproximava despreocupado. Foi como se o tempo parasse, ele era completamente estonteante, estava usando uma camisa branca entreaberta, um jeans escuro daqueles meio apertado e tênis escuro desses mais clássicos.
Ele era loiro, seus cabelos não eram muito compridos mas também não eram muito curtos, era aquele tipo de cabelo que você não precisa se preocupar em passar horas arrumando antes de sair de casa, ele ficava bom passando apenas os dedos por eles. Seu rosto era simplesmente perfeito, tudo se encaixava nele, foi então que ele reparou que eu estava olhado-o escancaradamente e me devolveu o olhar. Quando eu senti aqueles olhos sobre mim, perdi o fôlego e senti que algo queimava dentro de mim.
Aqueles olhos me transmitiam um sensação boa, de tranquilidade, de segurança, mas também de certa hostilidade, de perigo e algo dentro de mim me levava em direção aqueles olhos e ao mesmo tempo me advertia para sair correndo agora mesmo. Mas eu não conseguia desviar o olhar, aqueles eram olhos profundos, enigmáticos, tristes, cheios de vida e ao mesmo tempo vazios.
Não sei dizer quanto tempo se passou durante aquela troca de olhares, mas como se ele já houvesse visto tudo que se tinha para olhar, desviou o olhar e seguiu andando calmamente em direção ao crepúsculo.

Hoje eu resolvi dar uma revisada na história que eu estava escrevendo, e como não estava contendo com a direção que a história estava tomando e por ter passado tanto tempo sem ter escrito mais nada sobre ela, acabei mudando praticamente tudo, mudei completamente a trajetória da história e até os personagens. Espero que vocês gostem, e se alguém quiser vir a comentar algo ou dar algumas críticas sintam-se a vontade. Obrigado.